O Banco Central (BC) elevou o risco de inflação acima da meta em 2026, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre. A instituição passou a considerar as ações fiscais e de crédito anunciadas pelo governo como fator de estímulo à demanda agregada.
Na ata de sua reunião de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que seu balanço de riscos para a inflação é assimétrico para cima. Isso significa que há maior chance de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superar a trajetória do cenário de referência. O BC identificou como quarto risco altista os estímulos à demanda agregada, especialmente no consumo, que podem crescer acima do produto potencial.
O BC aumentou a estimativa de probabilidade de a inflação ficar acima do teto da meta de 4,5% em 2026, passando de 30% para 79%. A meta de inflação passou a ser contínua a partir de 2025, com o centro em 3% e margem de 1,5 ponto percentual. O alvo foi descumprido pela primeira vez em julho do ano passado, quando o IPCA fechou junho com alta de 5,35% em 12 meses.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, negou influência das eleições nas decisões do Copom. Ele declarou em entrevista coletiva sobre o RPM que os efeitos de qualquer mudança na taxa Selic só serão sentidos no futuro, afirmando que qualquer alegação de impacto eleitoral demonstra desconhecimento sobre o funcionamento da política monetária.

