Body doubling, técnica que consiste em trabalhar ao lado de outras pessoas para manter o foco, ganhou popularidade durante a pandemia, especialmente entre pessoas com TDAH. No entanto, psicólogos ouvidos pela imprensa alertam que não há evidências científicas robustas de sua eficácia e que pode não funcionar para todos.
A prática, que pode ser presencial ou virtual, envolve um parceiro que não interfere ativamente, mas cuja presença cria um compromisso social. Segundo Will Canu, psicólogo e professor da Appalachian State University, alguns indivíduos com TDAH podem até se sair pior com o body doubling do que sozinhos, devido a distrações adicionais.
Pesquisa conduzida por Canu com 1.600 universitários, dos quais 10% tinham TDAH, mostrou que o ganho de desempenho não foi significativo e que os alunos com TDAH não buscavam a técnica mais do que os demais. A principal razão para estudar em grupo entre aqueles com TDAH era a responsabilidade, enquanto os outros citavam diversão e suporte.
Russell Ramsay, psicólogo da Universidade da Pensilvânia, vê o body doubling como uma forma de externalizar a motivação, aproveitando a natureza social humana. Ele sugere que a antecipação do encontro pode gerar uma “onda” de dopamina que ajuda a iniciar tarefas. No entanto, Canu adverte que o body doubling não substitui estratégias baseadas em evidências, como dividir tarefas em partes menores ou usar temporizadores.
Para quem quiser testar, especialistas recomendam escolher um parceiro que trabalhe em silêncio, estabelecer metas claras no início e avaliar honestamente se a técnica realmente melhora a produtividade. A prática pode ser útil para alguns, mas não é uma solução universal.

