O Brasil avança na regulamentação da cannabis medicinal, mas o foco do debate migra para a questão econômica: qual o custo de produzir o insumo dentro das regras nacionais? A discussão visa atrair investimentos e ampliar o acesso a tratamentos, mas a complexidade operacional impõe desafios financeiros.
A produção nacional de cannabis medicinal demonstra viabilidade técnica em condições tropicais, conforme dados da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da associação ABRACE. Contudo, a conformidade regulatória exige monitoramento constante, pois fatores como clima e manejo agronômico influenciam diretamente o teor de THC. A especialista Beatriz Emygdio afirma que o foco deve ser o custo produtivo e econômico, e não apenas o limite de 0,3% de THC.
Estudos internacionais indicam um custo oculto na produção: produtores podem antecipar a colheita para evitar o excesso de THC, o que reduz o rendimento em até 44% em alguns casos. Essa perda produtiva pode exigir o uso de até 1,9 vez mais área, água e mão de obra para obter a mesma quantidade de ingrediente ativo.
A especialista Beatriz Emygdio explica que, em qualquer cadeia agroindustrial, a produtividade define os preços. Ela conclui que o sucesso do setor brasileiro dependerá da capacidade de construir uma indústria economicamente sustentável, capaz de competir e gerar medicamentos acessíveis à população.

