Pesquisadores brasileiros divulgaram resultados preliminares de testes de uma versão nacional do CAR-T Cell, terapia celular contra o câncer. O estudo, conduzido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto (USP) e Instituto Butantan, demonstrou que 87,5% dos pacientes com cânceres hematológicos tiveram redução ou desaparecimento dos tumores.
A terapia CAR-T Cell utiliza a edição genética de linfócitos T, células de defesa do sistema imunológico. O procedimento é um autotransplante: as células do paciente são coletadas, modificadas em laboratório, multiplicadas e reinseridas no indivíduo para atacar células cancerígenas em circulação. Embora a técnica já seja usada no mundo para leucemias e linfomas, seu custo atual, que atinge R$ 2 milhões por paciente, impede o acesso no país.
Para viabilizar o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), instituições como o Hemocentro e o Butantan, junto ao Einstein Hospital Israelita e à Fiocruz, trabalham no desenvolvimento de versões nacionais. O estudo CARTHEDRALL, iniciado em 2024, avalia a terapia em 81 pacientes de São Paulo, sendo que 75 já foram cadastrados. Dos que receberam o tratamento, quase nove em dez apresentaram melhoras.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, compareceu ao Hemocentro para o anúncio dos dados. Ele afirmou que os resultados são “muito animadores” e que há expectativa de a terapia estar acessível no SUS em até um ano. Contudo, os resultados completos precisam ser submetidos à Anvisa para aprovação regulatória.

