O Brasil possui uma posição única para atrair investimentos em inteligência artificial, afirmou Cathy Li, head do Centre for AI Excellence do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A executiva destacou que a combinação de escala econômica, talentos, dados e energia renovável garante ao país um diferencial competitivo na América Latina.
Segundo um relatório do Fórum com a McKinsey, a adoção de IA pode adicionar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão anualmente à economia da América Latina. Cathy Li comentou que os maiores ganhos virão de setores como agricultura, energia, mineração e turismo, áreas onde a região já possui vantagem. O Brasil se destaca por ser a maior economia da região, além de contar com boas universidades e um ecossistema de fintechs em expansão.
A executiva apontou que a produtividade ainda é um desafio estrutural na América Latina. Ela explicou que a maioria das empresas utiliza IA apenas nas margens, e apenas 23% conseguem gerar valor econômico com a tecnologia. Para gerar impacto, as empresas precisam repensar processos inteiros, integrando a IA aos processos centrais.
Adicionalmente, a vantagem do Brasil na IA verde é relevante. Cathy Li disse que o país gera 88% de sua energia a partir de fontes renováveis, o que atrai empresas e governos com metas de emissão zero. A especialista declarou que a vantagem existe, mas exige escolhas políticas ativas, clareza regulatória e incentivos ao investimento para ser ativada.


