Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) iniciaram um projeto inédito no Brasil que treina cães para farejar sinais de doenças graves. A iniciativa, batizada de “Xero”, visa detectar câncer, tuberculose e esquistossomose em amostras biológicas humanas.
O estudo, conduzido pelo Núcleo de Doenças Infecciosas (NDI/Ufes), tem duração prevista de quatro anos e ocorre em parceria com especialistas da Nova Zelândia. O treinamento dos animais, realizado no Centro de Ciências da Saúde (CCS/Ufes), utiliza reforço positivo. Segundo o coordenador-geral, professor Carlos Graeff, o cão recebe recompensa com comida ao detectar corretamente um odor associado à enfermidade.
A metodologia prevê que as amostras biológicas sejam apresentadas em um carrossel mecânico, desenvolvido pela equipe do professor Tim Edwards, da Universidade de Waikato. Os testes serão automatizados e monitorados por câmeras para aumentar a precisão. O médico-veterinário Gustavo Jantorno supervisionará as etapas, garantindo a saúde dos animais.
Os cães podem ser de qualquer raça, inclusive sem raça definida. Graeff comentou que, teoricamente, todos os cães possuem células olfativas mais evoluídas que as humanas, mas animais que gostam de brincar e comer tendem a ter melhor desempenho no trabalho.


