A crise no Estreito de Ormuz não gerou os efeitos desastrosos previstos, mas um analista de economia afirma que o risco de choque de oferta persiste. Contratos futuros do petróleo caíram nesta quinta-feira (4), enquanto especialistas alertam para a continuidade da tensão geopolítica.
Vinícius Torres Freire, analista de economia e política, disse que, embora fatores como o aumento de produção e a redução do consumo em algumas regiões tenham amortecido o impacto inicial, os efeitos econômicos já começaram a aparecer. Segundo Freire, a economia global deve crescer menos e a inflação deve permanecer alta, podendo interromper o ciclo de queda de juros em certas áreas.
Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) indicavam que, em março, cerca de 12% do consumo diário mundial de petróleo não foi atendido após as restrições no Golfo Pérsico. O analista também mencionou que a menor dependência mundial do petróleo, devido a ganhos de eficiência energética, ajudou a conter os impactos.
Apesar da queda nos preços, com o Brent para agosto cotado a US$ 95,03 por barril, o especialista mantém o alerta. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a comercializadora Trafigura indicaram que o mercado pode enfrentar um ponto de inflexão. Freire reiterou que a principal preocupação é o Estreito de Ormuz, rota de 20% da oferta global, e que “essa crise continua aí, na beira da esquina”.


