Jovens negras no Brasil enfrentam altas taxas de desemprego e baixa remuneração, conforme relatório do Ceert. Os dados, baseados na PNAD Contínua 2025 do IBGE, indicam que as desigualdades persistem no mercado de trabalho, mesmo com melhorias gerais.
O levantamento da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), revela que as mulheres negras jovens apresentam os piores resultados em desemprego, informalidade, desalento e renda. Entre jovens negras de 14 a 17 anos, a taxa de desocupação alcança 24,7%, um índice 1,4 vez superior ao dos homens brancos na mesma faixa etária.
As disparidades se estendem à remuneração e à formalização. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras correspondeu a apenas 46,5% da renda dos homens brancos. A taxa de informalidade entre jovens negras foi de 39,1%, dez pontos percentuais acima da registrada entre jovens brancas. O estudo aponta que as mulheres negras representam 38,7% dos jovens desalentados no país.
Na Região Metropolitana de São Paulo, a diferença salarial é notável. Jovens mulheres negras recebem, em média, R$ 2.236 mensais, enquanto homens brancos têm rendimento médio de R$ 3.926. A coordenadora da Rede Multiatores pelo Ceert, Shirley Santos, explicou que fatores como racismo estrutural e discriminação nos processos de contratação ajudam a explicar esse cenário.


