A economia brasileira pode apresentar crescimento em 2026 impulsionado por estímulos ao crédito e consumo, mas especialistas alertam que o vencedor da eleição de 2026 enfrentará um cenário de desaceleração e desafios fiscais estruturais em 2027.
A avaliação de analistas indica que grande parte do crescimento projetado para o ano atual é sustentada por programas temporários. Desafios estruturais, como a dívida pública e o orçamento federal, permanecem sem solução definitiva, o que pode levar a um esfriamento econômico logo após o pleito.
Vitor Scalet, analista político da XP, afirmou que qualquer presidente eleito terá que lidar com esse desaquecimento. A projeção da XP aponta que os estímulos anunciados podem movimentar cerca de R$ 190 bilhões e adicionar até 1,4 ponto percentual ao crescimento de 2026, sendo mais da metade dessa expansão ligada a crédito e transferência de renda.
Além da questão econômica, Lara Mesquita, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), declarou que a primeira preocupação do próximo presidente será o Congresso eleito. Ela explicou que o Legislativo ampliou sua influência sobre o Orçamento, limitando a margem de manobra do Executivo.
O problema fiscal exige correções, segundo Scalet. Para a sustentabilidade da dívida no médio prazo, o país precisaria de pelo menos 2,5% de superávit. Ele comentou que, sem um ajuste fiscal consistente, a tendência é de crescimento mais fraco e inflação mais resistente, independentemente de quem vencer a disputa.


