Empresas brasileiras iniciaram uma varredura em seus parceiros comerciais após o governo dos EUA classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, que entrou em vigor na sexta-feira (5), força as companhias a diagnosticar conexões com as facções para prevenir sanções futuras.
Especialistas consultados indicaram que a rotina em escritórios de advocacia e consultorias aumentou significativamente desde o anúncio feito em 28 de maio. O trabalho em áreas de compliance, que garante a atuação legal das empresas, mais que dobrou. Um advogado especializado em investigações corporativas afirmou que as companhias precisam aprimorar a identificação de fornecedores e clientes, cortando quem for necessário para se precaver.
As legislações americanas contra o terrorismo são amplas. As autoridades dos EUA podem aplicar sanções, como o bloqueio de contas bancárias no Brasil ou bens nos EUA, mesmo que a empresa comprove desconhecimento sobre a cadeia envolvida. Um coordenador de segurança multidimensional comentou que as autoridades possuem poder para aplicar punições severas contra quem estiver fora do roteiro traçado.
Setores como o financeiro, bancos e fintechs, são considerados de alto risco, pois o sistema bancário é o principal caminho para chegar a suspeitos. Além disso, atividades como venda de combustíveis, logística, construção e venda de imóveis também estão sob escrutínio. Um especialista em transações internacionais explicou que o simples anúncio da mudança de nomenclatura das facções já impôs um estigma à economia nacional, tornando fusões, investimentos e vendas mais complexos e caros devido ao aumento do risco.

