Um economista afirmou que o desequilíbrio fiscal brasileiro possui raízes estruturais, dificultando a redução de juros e a atração de capital estrangeiro. A análise, feita após o comunicado do Banco Central, aponta a necessidade de abrir espaço fiscal, reduzindo o crescimento das despesas obrigatórias.
Arnaldo Lima, economista e líder de relações institucionais da Polo Capital, disse que a carga tributária no país supera 34% do Produto Interno Bruto (PIB), valor superior à média de países emergentes, que gira em torno de 24% a 25%. Segundo Lima, o ajuste fiscal recai sobre as despesas, mas enfrenta resistência política e social.
O especialista explicou que 93% das despesas do orçamento federal são obrigatórias, o que diminui a margem de manobra do governo. Ele declarou que “o que a gente precisa é abrir mais espaço fiscal, reduzindo a trajetória de crescimento das despesas obrigatórias para investir mais no futuro do que no passado”. Lima também defendeu que a avaliação de políticas públicas deve focar na efetividade, e não apenas no volume de gastos.
Sobre os impactos econômicos, Lima comentou que o Brasil atrai capital estrangeiro, mas poderia atrair mais com contas públicas equilibradas, o que resultaria em inflação menor e maior crescimento. Ele observou que o investimento público caiu de mais de 10% do PIB no passado para menos de 3% atualmente. Ao comentar o comunicado do Banco Central, ele avaliou que a redução de 0,25 ponto percentual na Selic veio dentro do esperado, mas o texto foi mais rigoroso que o previsto.

