Especialistas alertam para a possível manifestação forte do El Niño no Brasil, um fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. As preocupações se concentram na Região Serrana do Rio de Janeiro, onde a chegada do evento reacende a memória da tragédia de chuvas de 2011.
Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de chances de o El Niño se formar até julho. Márcio Cataldi, coordenador do Laboratório de Monitoramento e Modelagem de Sistema Climático (Lammoc) da Universidade Federal Fluminense (UFF), explicou que, embora junho e julho sejam tipicamente secos, este ano podem ser mais chuvosos que o normal. Cataldi afirmou que o período seco pode atrasar para agosto e se estender até o início de dezembro, período que trará ondas de calor e risco de incêndios.
Fabio Hochleitner, do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), chamou atenção para o aumento de temperatura na Região Serrana a partir de meados de agosto. Hochleitner disse que o calor potencializa tempestades convectivas, podendo causar granizo, descargas atmosféricas intensas e enxurradas em áreas montanhosas, como Petrópolis e Teresópolis.
Marcelo Seluchi, coordenador geral de Operações e Modelagem do Cemaden, informou que o fenômeno se configurará e intensificará aos poucos, com expectativa de forte intensidade no fim deste ano ou início do próximo. Seluchi comentou que, historicamente, o Rio de Janeiro não é claramente impactado, mas as chuvas podem se tornar mais irregulares.
Apesar dos alertas climáticos, moradores em áreas de risco da Região Serrana continuam construindo em encostas. Líderes comunitários lamentaram o adensamento em locais vulneráveis, apontando que o poder público permite ocupações em áreas de risco, mesmo após tragédias passadas.


