Especialistas classificaram a suspensão de pesquisa eleitoral, determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, como um ato de censura. A medida paralisou o levantamento da AtlasIntel, que indicava queda de seis pontos percentuais na intenção de voto de um senador.
João Francisco Meira, presidente do Conselho de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), declarou que a suspensão é inconstitucional. Ele afirmou que a decisão se baseia em argumento fraco, pois não existe previsão constitucional para impedir a divulgação de pesquisas. Meira, cofundador da Vox Populi, acrescentou que a medida é inútil, visto que o levantamento já estava em domínio público.
A suspensão ocorreu após o Partido Liberal (PL) alegar que a AtlasIntel induziu os entrevistados negativamente ao incluir questionamentos sobre um escândalo e áudios de negociação financeira. Contudo, Meira contestou a crítica, explicando que as perguntas sobre intenção de voto aparecem no início do questionário, e o material polêmico é exibido apenas ao final.
Oswaldo Amaral, professor da Unicamp, e Raphael Nishimura, estatístico da Universidade de Michigan, também criticaram a decisão. Nishimura explicou que o argumento de influência do áudio não se sustenta, pois ele e as perguntas eleitorais são, na prática, dois questionários separados. Ele alertou que a decisão cria um “precedente perigoso” para a liberdade de expressão.


