Um estudo divulgado pelo Greenpeace Brasil aponta que ‘garimpos fantasmas’ são usados para lavar ouro ilegal na Amazônia. A fraude permite a expansão da mineração em Terras Indígenas e Unidades de Conservação, inserindo o minério no mercado global como ativo ‘limpo’.
A lavagem do minério ocorre quando o ouro é atribuído a uma Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), registro que confere aparência de legalidade à extração. O relatório, intitulado “Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude”, detalha um esquema bilionário. Entre 2018 e março de 2026, 98 PLGs com irregularidade permitiram a venda de 25,3 toneladas de ouro, valor equivalente a R$ 18,4 bilhões.
O ciclo fraudulento começa com a extração em Terras Indígenas e Unidades de Conservação. O minério é então atribuído a uma PLG falsa, permitindo a emissão de nota fiscal e declaração de origem. Uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) adquire o ativo amparada por essa documentação fraudada. Os garimpos fantasmas são PLGs sem exploração efetiva, detectados por análise de imagens de satélite e sobrevoos, que não mostravam cicatrizes de exploração.
A atividade ilegal causa graves impactos ambientais. Além de destruir florestas e rios, o garimpo contamina a água com mercúrio. Uma análise do WWF-Brasil citada no estudo indicou que mais de metade (51,7%) dos rios na sub-bacia do Tapajós apresentaram índices de mercúrio acima do limite legal.

