O ex-banqueiro Daniel Vorcaro vive uma situação de incerteza perante o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo Lucas de Aragão, cientista político e sócio da Arko Advice. O analista avaliou que a estratégia de negociação anterior da defesa não se sustenta no cenário político atual, marcado pela fragmentação do poder.
Lucas de Aragão explicou que, em processos anteriores, como o Mensalão e a Lava Jato, era possível alcançar consensos devido ao menor número de interlocutores. Contudo, ele afirmou que a atual fragmentação torna inviável tais arranjos, observando que “o próprio STF, cada ministro é um STF em si só”. O caso de Vorcaro, que envolve membros do Congresso, do setor privado e da Faria Lima, intensifica essa complexidade.
Um ponto central da análise é a ausência de comunicação entre a defesa e o relator. O analista declarou que “não existe mais” a troca de informações que orientava os delatores sobre o conhecimento do magistrado. Por isso, Vorcaro está em “situação muito desconfortável de não saber exatamente o que o relator, o André Mendonça, sabe do caso”.
Para o especialista, tentativas parciais de colaboração não serão suficientes. Ele concluiu que “Essas tentativas meio conta-gotas não vão funcionar com o André Mendonça. Ou vem alguma coisa muito robusta, ou então isso vai ficar pela metade do caminho”.


