A chegada das temperaturas baixas eleva o risco de problemas cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) indicam que os casos de infarto podem crescer até 30% no inverno, especialmente quando os termômetros caem abaixo de 14°C.
A queda de temperatura desencadeia reações fisiológicas no organismo que favorecem eventos cardiovasculares, principalmente em pessoas com fatores de risco. O cardiologista Roberto Kalil, presidente do Conselho Diretor do InCor-HCFMUSP, afirmou que o corpo tenta preservar o calor, mas essas adaptações aumentam a sobrecarga no sistema cardiovascular.
Uma das respostas do corpo ao frio é a vasoconstrição, o estreitamento dos vasos sanguíneos. Esse mecanismo, embora conserve calor, eleva a pressão arterial e obriga o coração a bombear mais sangue. Além disso, a desidratação, comum no inverno, concentra o sangue e aumenta a chance de formação de coágulos, o que pode levar a um infarto ou AVC.
Mudanças comportamentais também contribuem para o risco. O sedentarismo, a maior ingestão de alimentos calóricos e a redução da prática de exercícios somam-se aos efeitos do frio. Pesquisas internacionais reforçam essa ligação: um estudo de 2024 na Suécia e outro de 2025 na China associaram temperaturas baixas a maior risco de infarto agudo do miocárdio.
Grupos como idosos, diabéticos, hipertensos e tabagistas merecem atenção redobrada. Especialistas recomendam manter-se aquecido, hidratado e seguir rigorosamente os tratamentos médicos prescritos para proteger a saúde cardiovascular durante a estação fria.

