Investigações criminais brasileiras deixaram de depender de grampos telefônicos para usar dados digitais e inteligência financeira. O cenário exige maior eficiência investigativa, mas também mais rigor no respeito às garantias constitucionais, segundo o especialista Bernardo Guidali Amaral.
A mudança no foco investigativo reflete a evolução do próprio crime. Guidali explica que a globalização, iniciada na década de 1990, permitiu que organizações criminosas operassem de forma transnacional. Com a popularização de celulares e serviços em nuvem, a maior parte das evidências relevantes hoje reside em mídias eletrônicas, substituindo o protagonismo da escuta telefônica.
O novo aparato investigativo utiliza instrumentos como Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) para mapear movimentações atípicas e a colaboração premiada para justificar buscas e apreensões. O especialista alerta que, com o aumento da capacidade estatal de investigar, cresce a responsabilidade das autoridades em proteger a vida privada dos cidadãos.
O futuro aponta para a inteligência artificial como ferramenta de apoio. Ela pode processar grandes volumes de dados e identificar padrões complexos. Contudo, Guidali afirma que as decisões jurídicas finais devem ser humanas, garantindo que a liberdade e o Estado de Direito sejam preservados.

