O Ibovespa entrou em fase de cautela após registrar recordes no início de 2026. A desaceleração do fluxo de capital estrangeiro, a manutenção de juros altos e a aproximação das eleições presidenciais reduzem o apetite dos investidores pelo mercado acionário brasileiro.
Em janeiro de 2026, a bolsa atingiu o recorde de R$ 26,31 bilhões em entradas de capital estrangeiro. Contudo, em maio, houve uma retirada de R$ 14,91 bilhões, o maior aporte mensal negativo desde janeiro de 2022, segundo levantamento da Elos Ayta. Apesar disso, o saldo líquido acumulado de janeiro a maio permanece positivo, totalizando R$ 41,63 bilhões, sem considerar ofertas de ações.
Especialistas atribuem a mudança de humor dos investidores a fatores globais e domésticos. Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, disse que os resultados fortes de gigantes de tecnologia nos Estados Unidos impulsionaram a migração de recursos. Eduardo Levy, economista da LB Endow, afirmou que a realização de lucros e a preocupação com a situação fiscal brasileira tornaram os investidores mais conservadores.
Os analistas convergem que as eleições presidenciais serão o principal fator de volatilidade nos próximos meses. Gustavo Trotta, da Valor Investimentos, declarou que o terceiro trimestre deve concentrar os momentos de tensão. Apesar do cenário desafiador, o consenso é que ações locais ainda apresentam preços atrativos em comparação com outros mercados emergentes.


