O Irã classificou o acordo preliminar que suspendeu as hostilidades no Oriente Médio como uma declaração de derrota dos Estados Unidos. A declaração ocorre enquanto o secretário de Estado americano, Marco Rubio, cumpre agenda em países do Golfo para reafirmar compromissos de segurança.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o memorando de entendimento assinado em Islamabad, mediado pelo Paquistão, não resultou de pressão, mas da resistência iraniana. “Por isso, o memorando de entendimento de Islamabad adquiriu o valor de uma declaração de derrota dos Estados Unidos”, disse Ghalibaf, que também preside o Parlamento do Irã. Ele defendeu que a segurança no Oriente Médio deve ser garantida pelos próprios países da região.
As hostilidades começaram em 28 de fevereiro com ataques de EUA e Israel contra o Irã, que retaliou bloqueando o Estreito de Ormuz e lançando drones e mísseis contra vizinhos do Golfo. O acordo provisório suspendeu os confrontos, mas não aborda o programa de mísseis iraniano nem o apoio a grupos aliados, como Hezbollah e houthis — preocupações de longa data para vizinhos e Israel.
Rubio iniciou viagem pelos Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein, onde participará de reunião do Conselho de Cooperação do Golfo. O secretário rejeitou a ideia de cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz, defendida por Omã e Irã, classificando a via como internacional. Enquanto isso, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, confirmou que inspeções nucleares no Irã ocorrerão, mas sem calendário definido.

