Avanços no tratamento da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) transformaram a doença em uma condição crônica controlável. No entanto, um estudo recente mostra que a qualidade de vida dos pacientes é frequentemente negligenciada.
Um estudo conduzido em 11 países, incluindo o Brasil, com a participação de 361 pacientes e 198 médicos, evidencia um desalinhamento relevante entre as percepções de pacientes e profissionais de saúde no manejo da doença. Enquanto médicos tendem a priorizar indicadores clínicos, como resposta molecular e eficácia do tratamento, pacientes atribuem maior valor à qualidade de vida, à tolerabilidade e ao impacto da doença em sua rotina.
A hematologista Dra. Carla Boquimpani, líder em leucemias crônicas do Grupo Oncoclínicas e pesquisadora do HEMORIO, destaca a importância de avançar na comunicação e na decisão compartilhada, fortalecendo a adesão, a confiança e os resultados clínicos. “Existem diferentes estratégias para lidar com a baixa tolerabilidade aos tratamentos, incluindo ajustes de dose, mudança no horário de administração ou até a substituição da medicação, sempre de forma individualizada e centrada na qualidade de vida, rotina pessoal e profissional e objetivos de tratamento de cada paciente”, afirma.
No final de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso de asciminibe como tratamento para pacientes adultos recém-diagnosticados com LMC cromossomo Filadélfia positivo em fase crônica (LMC Ph+ FC), representando um avanço relevante no cenário nacional.

