O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alertado durante reunião ministerial sobre o risco de aprovação de pautas-bomba no Congresso, que poderiam tornar o país ingovernável. O encontro também abordou a dificuldade na relação com o presidente do Senado e a rejeição de indicação ao Supremo Tribunal Federal.
O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, comunicou ao presidente o risco de aprovação de propostas com grave impacto fiscal, especialmente no Senado. As preocupações focaram em duas matérias: a negociação de dívidas de produtores rurais gaúchos, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), e uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe autonomia financeira ao Banco Central (BC), em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Estudos da equipe econômica indicam que a renegociação das dívidas pode gerar impacto de até R$ 150 bilhões nas contas públicas apenas em 2027, podendo somar até R$ 817 bilhões em 13 anos. Paralelamente, a autonomia do BC, apoiada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, levanta receio de que a instituição deixe de cumprir as regras do arcabouço fiscal.
Em relação aos impasses políticos, o presidente Lula declarou que o presidente do Senado foi “quem criou um problema para ele mesmo”, afirmando que cabe a este resolver a situação. O líder do governo, senador Jaques Wagner, reclamou da rejeição da indicação de um ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF.
Na mesma reunião, Lula defendeu o Pix como resposta à ofensiva tarifária dos Estados Unidos e como ferramenta eleitoral. Ele também cobrou celeridade dos ministros, pois o prazo para anunciar entregas do governo termina em 3 de julho, antes do período de defeso eleitoral.


