O Ministério da Saúde iniciou um estudo no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, para avaliar o uso de medicamentos à base de semaglutida no tratamento da obesidade grave dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa acompanhará 250 pacientes por dois anos, visando gerar evidências para possível incorporação da tecnologia na rede pública.
O projeto foca em pessoas com obesidade grave que aguardam cirurgia bariátrica, com dose prevista de até 2,4 mg por semana no período pré-operatório. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o objetivo é entender os efeitos e impactos da medicação no sistema de saúde. O acompanhamento será multiprofissional, incluindo consultas médicas, monitoramento de perda de peso, qualidade de vida e indicadores clínicos como colesterol e glicose, conforme explicou Fernando Anschau, coordenador do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do GHC.
Os participantes foram selecionados por apresentarem obesidade grave e comorbidades, sendo que o GHC informou que 91% dos pacientes com indicação para bariátrica no hospital têm obesidade mórbida. Além disso, 72% convivem com duas ou mais condições, como hipertensão e diabetes. O estudo também observará como os pacientes utilizam o medicamento em casa, monitorando a segurança e possíveis efeitos adversos.
Atualmente, a semaglutida não está incorporada ao SUS. A expectativa do Ministério da Saúde é que os resultados clínicos subsidiem uma discussão sobre a viabilidade do tratamento na rede pública. Padilha afirmou que a introdução controlada da medicação pode gerar redução de custos no SUS.

