O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo dos Estados Unidos ignorou os argumentos apresentados pelo Brasil em investigações comerciais. A decisão, que resultou na recomendação de novas tarifas contra produtos brasileiros, ocorreu antes do prazo de negociação acordado entre os presidentes.
A declaração foi feita após encontro de Vieira com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, durante reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. Vieira disse que o anúncio das recomendações ocorreu dentro do período de trinta dias estabelecido pelos líderes para buscar uma solução negociada.
As recomendações americanas basearam-se em duas investigações sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Washington acusa o Brasil de práticas desleais em áreas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, desmatamento ilegal e acesso ao mercado de etanol. Uma segunda investigação apontou falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão na pecuária brasileira.
Vieira rebateu as críticas, argumentando que as recomendações desconsideram avanços recentes do Brasil. Segundo o ministro, a área desmatada na Amazônia Legal caiu pela metade em comparação com 2022. O chanceler também criticou as referências ao Pix, classificando-o como um patrimônio nacional.


