Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) projetam que a corte permanecerá um foco de tensão política nacional, independentemente do vencedor da eleição presidencial de outubro. A avaliação dos magistrados aponta cenários distintos para a relação entre os Poderes, dependendo se o presidente reeleito for Lula ou um candidato de oposição.
A análise dos magistrados indica que uma vitória de um candidato de oposição traria o retorno a uma agenda de conflitos diários entre o Palácio do Planalto e o tribunal. Em contraste, caso haja reeleição do presidente Lula, a relação entre os Poderes seria cordial, mas o STF enfrentaria desafios ao arbitrar novos atritos entre o governo e o Congresso Nacional, especialmente com uma bancada oposicionista forte.
O pleito de outubro definirá também um novo perfil na composição do STF, visto que três ministros se aposentam compulsoriamente por idade entre 2028 e 2030. A corte ainda possui uma vaga aberta desde o ano passado, após a aposentadoria de um ministro. O nome indicado pelo presidente Lula para preencher a lacuna foi rejeitado pelo Senado.
A eleição de um candidato conservador pode gerar uma virada na correlação de forças do Supremo, hoje majoritariamente composto por ministros indicados por governos do PT. Magistrados expressam ceticismo sobre a capacidade de um candidato de representar uma direita moderada, devido ao histórico de conflitos entre o bolsonarismo e o Judiciário. O ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, é visto como figura central no combate a práticas ligadas ao bolsonarismo.

