Ao menos dois dos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criticaram a decisão do presidente Kassio Nunes Marques de suspender a divulgação de pesquisa da AtlasIntel. A enquete, que aponta queda de seis pontos percentuais nas intenções de votos de um senador, será levada ao plenário do TSE para definir como o tribunal tratará as pesquisas nas campanhas deste ano.
Nunes Marques defendeu a liminar alegando que institutos de pesquisa devem seguir regras eleitorais, pois as pesquisas no Brasil são disciplinadas por leis e resoluções. Segundo o presidente do TSE, a enquete da AtlasIntel, embora registrada, apresentava indício de manipulação na forma de realização. O ministro afirmou que sua decisão não possui caráter político, mas sim técnico, visando o equilíbrio da disputa entre os candidatos.
Um integrante do TSE lembrou que uma regra do próprio tribunal exige laudo técnico para comprovar a manipulação alegada. Para o ministro, a liminar “não faz o menor sentido” e é “muito preocupante”, ao mesmo tempo que afirmou que o instituto de pesquisa questionado é “sério no mercado”.
O julgamento no plenário do TSE definirá o entendimento do tribunal sobre o tema. A expectativa é de que Nunes Marques não tenha apoio unânime dos colegas em posições polêmicas, e caso a decisão seja confirmada, deve ser apresentado recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

