Um motorista aposentado, que foi falsamente responsabilizado pelo regime militar pelo acidente que vitimou o ex-presidente Juscelino Kubitschek em 1976, faleceu em Indaiatuba, SP, em 16 de junho de 2026. O homem, que teve sua inocência confirmada judicialmente, viu seu caso reavaliado por comissões de verdade.
Na época do acidente, o inquérito conduzido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro apontou que o ônibus da Viação Cometa, dirigido pelo motorista, colidiu na traseira do Opala de JK. Segundo a versão oficial da ditadura, a batida causou a perda de controle do veículo e o choque com uma carreta Scania, resultando na morte do ex-presidente e de seu motorista.
Investigações posteriores contestaram essa dinâmica. Provas físicas, como fotos periciais descobertas anos depois, mostraram a traseira do Opala intacta. Um laudo técnico que indicava manchas de tinta foi descartado pela Justiça por falta de assinatura. O motorista foi absolvido do crime de homicídio em 1977, decisão confirmada em 1978, quando o caso foi arquivado.
Em 2026, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou um relatório afirmando que JK foi morto por uma ação coordenada do Estado ditatorial, registrando falhas graves no inquérito original. A CEMDP informou que deveria organizar um pedido de desculpas formal ao motorista, que relatou ter sido hostilizado publicamente após o desastre.

