Pesquisadores do Centro Médico Universitário de Liubliana, na Eslovênia, descobriram que o princípio ativo do Mounjaro, a tirzepatida, pode influenciar a gordura marrom do corpo. O estudo, apresentado em Chicago, indica que o medicamento aumenta a atividade termogênica e promove a conversão de gordura branca em gordura ‘bege’.
O tecido adiposo humano é composto por gordura branca, que armazena calorias, e gordura marrom, que queima calorias para produzir calor. Enquanto a gordura branca predomina, a marrom é metabolicamente ativa e presente em menor quantidade. Os cientistas eslovenos investigaram se a tirzepatida afetaria essa gordura marrom em humanos.
Para isso, foi realizado um ensaio clínico randomizado com 34 mulheres com obesidade, de média de 39,5 anos e IMC de 36,9. As participantes receberam semanalmente 8,8 mg do Mounjaro ou placebo por 24 semanas. Os resultados mostraram que a tirzepatida elevou a atividade e o volume do tecido adiposo marrom. Especificamente, a atividade aumentou de 41,2% para 64,7% no grupo tratado, sem alteração no grupo placebo.
O autor do estudo, Rok Herman, disse que os achados adicionam uma nova camada ao entendimento dos medicamentos contra a obesidade. Ele explicou que a tirzepatida não atua apenas como supressor do apetite, mas também modula o gasto energético em nível tecidual. O fármaco, que pertence à classe dos análogos de GLP-1, simula o hormônio, estimulando a insulina e promovendo saciedade.

