O governo brasileiro avalia que as recentes medidas tarifárias dos Estados Unidos contra o país contam com participação direta do presidente americano, Donald Trump. O economista Leonardo Trevisan afirma que as ações de Washington refletem interesses de grandes empresas de tecnologia dos EUA, e não apenas questões comerciais.
Trevisan explica que as gigantes de tecnologia buscam reagir a iniciativas de países como Brasil, Canadá e membros da União Europeia para ampliar a fiscalização de conteúdos em plataformas digitais. O professor argumentou que o debate envolve poder político e a influência das redes sociais no processo eleitoral, visto que “hoje as eleições não se fazem em outro lugar a não ser no celular”.
O especialista também ligou a insatisfação das plataformas ao aumento de ações judiciais contra redes sociais, após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, “é disso que eles estão reclamando”. Além disso, Trevisan citou o Pix como ponto central da disputa, alegando que o sistema brasileiro reduziu o espaço de empresas privadas interessadas nos dados dos usuários. Ele declarou que “o verdadeiro lucro do cartão de crédito não está no processo de pagamento, está na piscina de dados”.
Apesar das tensões, integrantes do governo brasileiro buscam negociações diplomáticas para evitar tarifas mais elevadas. Para Trevisan, as pressões americanas fazem parte de uma estratégia maior para defender os interesses do setor financeiro e de tecnologia dos Estados Unidos. Ele afirmou que “o que lhes interessa já está garantido. O restante é objeto de negociação”.


