Pelo menos 212 mortes registradas entre domingo e quarta-feira (21 a 24 de junho) na Espanha podem ser atribuídas à onda de calor que atinge o país, segundo estimativa do Instituto de Saúde Carlos III, de Madri. O cálculo foi feito com base no sistema MoMo, que compara a mortalidade observada com a esperada para o período.
A segunda-feira (22) e a terça-feira (23) foram os dias mais quentes já registrados em junho na Espanha desde 1950, informou a agência estatal de meteorologia Aemet. A temperatura média de segunda foi de 28,08°C e a de terça, 28,17°C — superando o recorde anterior de 28,01°C de junho de 2025. Na Cantábria, região norte pouco acostumada a extremos, os termômetros atingiram 43,7°C, maior valor já registrado no território.
A onda de calor começou no domingo (21) e deve persistir até pelo menos quinta-feira (25). As temperaturas estão entre 5°C e 10°C acima da média histórica. Cerca de 85% dos municípios espanhóis estão sob alerta sanitário, afetando mais de 21 milhões de pessoas. As autoridades emitiram alertas máximos para Andaluzia, Cantábria e País Basco.
As altas temperaturas também provocaram restrições nas tradicionais celebrações de São João, com proibição de fogueiras em praias e áreas abertas para reduzir o risco de incêndios florestais, além de reforço na vigilância com drones. Segundo a Aemet, a frequência de ondas de calor mais que dobrou neste século: entre 2001 e 2025 foram registrados 329 dias sob onda de calor, contra 129 até 2000.

