O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta um aumento na frequência dos cortes de geração de energia nos próximos anos. O diretor de Planejamento, Alexandre Zucarato, afirmou que a queda da carga mínima e a expansão de fontes renováveis, como a solar, intensificam o risco de excesso de energia no Sistema Interligado Nacional.
Zucarato declarou que a expectativa é que o uso da medida de corte seja mais frequente, embora ainda pontual, sempre que o ONS identificar risco para o sistema. A análise do ONS aponta que a carga mínima do sistema elétrico tem diminuído anualmente, enquanto a geração renovável avança. Esse movimento aprofunda a chamada “barriga do pato”, termo usado no setor para descrever a queda da carga líquida durante o dia, quando há forte geração solar.
Para lidar com o excesso de energia, o diretor sugeriu elevar a carga nos horários de sobra ou reduzir a geração nesses períodos. Ele explicou que o desafio está ligado à estrutura da matriz elétrica, que passou a depender mais de fatores climáticos com a expansão de fontes eólica e solar. Em casos de baixa demanda e alta produção, o ONS aciona planos de defesa, como o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia, que foi usado pela primeira vez em 7 de junho de 2026.
O diretor defendeu também a modernização do sistema tarifário para que os consumidores recebam sinais econômicos adequados sobre os momentos de escassez ou sobra. Os cortes, conhecidos como *curtailment*, consistem na redução da geração quando a oferta supera a demanda, visando evitar elevação da frequência elétrica e garantir a segurança da operação da rede.

