A operação Compliance Zero, que tem como alvo o senador e líder do governo, Jaques Wagner, gera preocupação entre aliados do Executivo. O temor é que a ação traga de volta a percepção pública de que o governo tem responsabilidade pelo escândalo do banco Master.
Pesquisas internas do Planalto e do PT no início do ano indicavam que a população atribuía a responsabilidade pelo escândalo do banco, liquidado no fim de 2025, ao campo liderado pelo presidente. O governo tentou, sem grande sucesso, fazer colar na opinião pública que as relações problemáticas do banqueiro eram com a oposição. Essa estratégia mudou após a operação que atingiu o senador Ciro Nogueira e os áudios do senador Flavio Bolsonaro.
A partir daquelas revelações, o governo conseguiu impulsionar o slogan “Bolsomaster”, o que gerou perdas nas pesquisas do filho do ex-presidente. O Executivo, por sua vez, reforçou a comunicação de seus resultados, o que ajudou Lula a zerar o saldo negativo de aprovação. Contudo, a oposição intensifica ataques nas redes sociais, temendo que o foco retorne ao campo do presidente.
Wagner defendeu sua inocência e declarou que não deve renunciar, deixando a decisão de mantê-lo a Lula. Um interlocutor palaciano explicou que políticos do PT são vistos sob ótica coletiva, o que amplifica o impacto de acusações contra Wagner, especialmente por ser um cacique petista na Bahia e próximo a Lula.

