Pessoas diagnosticadas com demência estão contestando estereótipos sociais e exigindo suporte médico adequado. O movimento, chamado de ‘rebeldes da demência’, combate o tratamento que as considera incapazes de gerir a própria vida.
A jornalista Anne Karpf defende que é preciso abandonar o ‘modelo deficitário’ do envelhecimento, pois o cérebro possui elasticidade. Ela descreve a situação como um ‘híbrido de idadismo e capacitismo que se combinam’, onde o diagnóstico leva ao tratamento como se o indivíduo não fosse capaz de administrar sua vida.
Relatos de pacientes ilustram o impacto do preconceito. Uma psicoterapeuta de 78 anos afirmou que conhecidos passaram a ver apenas a doença, e não a pessoa, após o diagnóstico. Um professor, diagnosticado aos 63 anos em 2014, recebeu conselhos ignorados, como não correr riscos, não se cansar e se preparar.
Ativistas, como Kate Swaffer, chamam essa orientação de se desligar da vida de ‘desengajamento prescrito’. Eles argumentam que o estágio avançado não é a única realidade, buscando expandir a gama de imagens sobre a condição. Swaffer aponta que problemas de fala em pessoas com demência raramente geram encaminhamento para fonoaudiologia, diferentemente de casos pós-derrame.

