A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 entrou em compasso de espera no Senado Federal. A tramitação aguarda uma costura política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após o retorno do presidente ao país.
A proposta, que ganhou tração na Câmara dos Deputados e mobilizou redes sociais, foi colocada em análise pela cúpula da Casa. Senadores ouvidos indicaram que o avanço relevante do texto depende de uma conversa reservada entre Lula e Alcolumbre. O impasse atual envolve não só o mérito da PEC, mas também o rito de tramitação no Senado.
A Casa legislativa busca evitar ser vista apenas como um carimbador de um texto popular, ao mesmo tempo em que tenta não se posicionar contra uma pauta forte entre trabalhadores. Líderes debatem fórmulas de tramitação que incluem uma transição mais longa para a mudança na jornada ou a incorporação de trechos de propostas alternativas, como a PEC do Trabalho Flexível.
O Planalto tenta equilibrar o apoio ao trabalhador com a preocupação fiscal e a resistência do setor produtivo. Após o diálogo entre Lula e Alcolumbre, a tendência é que o texto siga para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Otto Alencar. A estratégia prevê um cronograma amplo de audiências públicas para calibrar a discussão.

