Uma pesquisa global da Gallup, que analisou 141 mil trabalhadores em mais de 140 países, identificou uma queda expressiva no engajamento dos gestores desde 2022. O estudo aponta que o esgotamento da liderança se tornou um foco de crise nas organizações, deslocando o problema do funcionário para a gestão.
A especialista em estratégia de negócios e capital humano, Roberta Rosenburg, afirma que o desengajamento começa de forma silenciosa, antes de se manifestar em indicadores corporativos, como queda de produtividade e aumento do turnover. Segundo ela, quando um gestor perde energia, os efeitos se espalham rapidamente pela equipe.
O diagnóstico dialoga com dados nacionais. A Previdência Social registrou cerca de 546 mil benefícios por transtornos mentais no Brasil em 2025, o maior volume já documentado. Além disso, gestores enfrentam demandas complexas, como saúde mental, trabalho híbrido e transformação digital, sem sempre receber preparação adequada.
A pesquisa da Gallup mostra que o engajamento pode ser melhorado. Em empresas consideradas referência, 79% dos gestores estão engajados, quase quatro vezes a média global. A especialista explica que a diferença reside na forma como as empresas tratam o desenvolvimento da liderança, investindo antes da promoção.

