A Polícia Federal localizou mensagens trocadas entre o presidente da Câmara dos Deputados e o fundador do Banco Master, referentes a uma operação de crédito de pelo menos R$ 22 milhões. As conversas, encontradas no celular do banqueiro, detalham o financiamento concedido em março de 2024 para uma empresa ligada à família do congressista.
A operação de crédito, registrada na Junta Comercial da Paraíba, destinou os recursos à compra de um terreno em João Pessoa (PB), local onde se planeja a construção de um novo bairro. Relatórios internos da PF analisam a relação entre o congressista e o banqueiro no âmbito da operação Compliance Zero. Um ponto sob análise é a possível conexão entre o financiamento do Master e uma emenda de autoria do deputado, que exigiria que seguradoras e instituições financeiras destinem verbas a créditos de carbono, beneficiando negócios da família do banqueiro.
Em entrevista, o congressista foi questionado sobre o caso, mas se recusou cinco vezes a responder se atuou na liberação do empréstimo. Ele declarou que a operação “está dentro da legalidade” e que a empresa cumpre os pagamentos das prestações. A PF avalia a existência de indícios criminais para decidir sobre o aprofundamento das investigações.
A operação Compliance Zero apura fraudes no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) desde dezembro de 2025. O fundador do banco, que está detido em Brasília, entregou uma proposta de delação premiada, cuja análise pelo ministro do STF deve levar semanas.

