A Polícia Federal investiga se uma sacola transportada por um piloto em um voo para Brasília, em agosto de 2024, continha R$ 350 mil em espécie que seriam destinados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). As informações constam em documentos da investigação e em entrevista do piloto à imprensa.
Em 6 de agosto de 2024, o piloto afirma que recebeu do gestor uma sacola de papel que deveria ser tratada com “cuidado especial” por conter “grana”. Ele gravou um vídeo para registrar a situação. Ao desembarcar em Brasília, ouviu o empresário perguntar se “estava tudo certo com o Ciro” e se “o senador Ciro já estava aguardando”. O empresário levou a sacola e não retornou com ela.
No mesmo dia, mensagens encontradas pela PF no celular do ex-banqueiro mencionam “Espécie Ciro 350k”, segundo a investigação. Para os investigadores, a coincidência entre o relato do piloto e os registros eletrônicos é forte indício de pagamento em dinheiro vivo ao senador. A estrutura empresarial ligada a Ciro Nogueira teria sido usada para inserir o dinheiro no sistema financeiro.
Após denunciar o caso, o piloto afirma ter recebido ameaças e passou a viver sem residência fixa há dez meses, mudando de endereço a cada duas semanas. Ele não consegue mais trabalhar na aviação executiva e contratou segurança privada. A defesa do empresário nega qualquer transporte de recursos e vínculo com o ex-banqueiro. A empresa TAP, proprietária da aeronave, diz desconhecer os fatos e afirma seguir regras de compliance. O senador Ciro Nogueira não se manifestou até a publicação.

