O Palácio do Planalto avalia que o secretário de Estado dos Estados Unidos tenta legitimar um senador como principal interlocutor do Brasil nas negociações de tarifas. O esforço ocorre após carta enviada pelo secretário ao político, que teria se inscrito para audiência pública em Washington no dia 6, onde o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abordará o tema.
Diplomatas indicam que o objetivo do político é reduzir o impacto negativo do tarifaço em sua popularidade. O governo brasileiro, contudo, avalia que o grupo de trabalho firmado com os norte-americanos é o caminho adequado para a negociação, e não a audiência, pois este espaço é destinado à participação do setor privado.
A Casa Branca ameaça impor taxas de 25% no âmbito da seção 301 e de 12,5% por suposto descontrole sobre trabalho forçado. Para os diplomatas, a tarifa de 12,5% é um caminho estabelecido pelo USTR para repor taxas derrubadas pela Suprema Corte norte-americana. Fontes palacianas entendem que o presidente Donald Trump exigirá contrapartida para abrir mão da taxação.
Em resposta a um pedido anterior do senador, o secretário norte-americano reforçou a posição do USTR, propondo taxas de 25% sobre importações brasileiras, exceto mercadorias sujeitas a tarifas de segurança nacional. O órgão alega que políticas brasileiras sobre comércio digital, tarifas e desmatamento ilegal são passíveis de ação judicial sob a seção 301.

