Milhares de pessoas protestaram em Tirana, capital da Albânia, contra um projeto turístico de luxo avaliado em US$ 1,6 bilhão. O empreendimento, associado a Jared Kushner, genro de Donald Trump, está sendo construído em uma área ambientalmente sensível, gerando forte desgaste político ao governo do primeiro-ministro Edi Rama.
As manifestações ocorreram no terceiro dia consecutivo e devem se estender ao sul do país, onde o complexo será edificado. Os opositores utilizam flamingos infláveis como símbolo, referenciando espécies que podem ser afetadas pela obra. Organizações ambientais rejeitaram proposta de diálogo do premiê, que defende o investimento como crucial para consolidar a Albânia como destino internacional de alto padrão.
O resort será construído em região que inclui a ilha de Sazan e zonas úmidas dentro de um parque marinho nacional. Entidades ambientais afirmam que o local abriga espécies ameaçadas do Mediterrâneo, como a foca-monge-do-Mediterrâneo, e mais de 200 espécies de aves. Críticos apontam falta de transparência, alegando que estudos ambientais e consultas públicas não foram devidamente divulgados.
O governo sustenta que o capital estrangeiro é estratégico para a economia do país. No entanto, a controvérsia ganhou dimensão jurídica: a promotoria especial anticorrupção da Albânia (SPAK) abriu investigação sobre alterações legislativas de 2024 que facilitaram o uso de áreas protegidas para o projeto.


