A manutenção da queda nos preços do petróleo pode aliviar a inflação global e criar condições para cortes graduais da taxa Selic no Brasil, avaliou Carla Beni, economista da FGV, nesta quarta-feira (24). A melhora do cenário depende da continuidade das negociações no Estreito de Ormuz e da redução das tensões geopolíticas.
A economista observou que a velocidade da queda das cotações do petróleo é relevante, sinalizando o avanço nas tratativas. Ela afirmou que um período prolongado de preços baixos alivia a inflação, especialmente em países que repassam as oscilações do petróleo aos combustíveis. Nos Estados Unidos, por exemplo, o repasse é rápido, e a queda ajuda o cenário mundial.
Sobre a política monetária, Carla Beni declarou que o Banco Central deve manter ou reduzir a taxa Selic em conta-gotas, caso o ambiente externo se mantenha favorável. Ela ressaltou que o grande desafio é o mecanismo de ajuste da taxa básica de juros no país.
Em relação ao câmbio, a especialista não prevê o dólar atingir R$ 6, considerando um patamar entre R$ 5,15 e R$ 5,20 com maior estabilidade. A análise também apontou que a chance de alta dos juros nos Estados Unidos não é provável, desde que o acordo no Estreito de Ormuz se mantenha aberto.

