Um estudo acompanhou cerca de 2.000 pessoas com diabetes tipo 2 por cinco anos e observou que o uso contínuo de metformina pode reduzir a progressão da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) em 37%. A descoberta sugere um possível benefício do fármaco na saúde ocular, mas os pesquisadores alertam que a relação ainda precisa ser comprovada em ensaios clínicos.
A DMRI é uma das principais causas de perda de visão em idosos, afetando a mácula, região essencial para a visão central e detalhes. A doença apresenta duas formas: a seca, mais comum, e a úmida, mais agressiva, que envolve o crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina. Fatores como envelhecimento, tabagismo e diabetes descontrolado aumentam o risco de ambas as condições.
A explicação biológica para o achado envolve processos celulares. Segundo a oftalmologista Erika Yasaki, do Einstein Hospital Israelita, a metformina atua além do controle glicêmico, promovendo a redução do estresse oxidativo e da inflamação celular, mecanismos ligados à progressão da DMRI. A médica Solange Travassos, coordenadora do departamento de Saúde Ocular da Sociedade Brasileira de Diabetes, relatou que estudos experimentais associaram o medicamento à proteção de fotorreceptores.
No entanto, o principal autor do estudo, pesquisador da Universidade de Liverpool, afirmou que o trabalho é observacional e não estabelece causa e efeito. Ele declarou que a associação entre metformina e menor progressão da DMRI precisa ser confirmada em ensaios clínicos com humanos. Paralelamente, a indústria, como a Curative Biotech, desenvolve versões reformuladas do fármaco para aplicação local nos olhos.

