A Sabesp obteve autorização para aumentar a captação de água da bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro, visando reforçar o Sistema Cantareira durante o período de estiagem em São Paulo. A medida, que segue a lógica de crises passadas, foi estabelecida por um acordo prévio assinado entre os três estados.
O Sistema Cantareira opera atualmente com 39,9% da capacidade operacional, um índice abaixo da média histórica de 55,5% para o período. Por esse motivo, o sistema está classificado em nível de atenção e fornece água para cerca de 10 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo. A alternativa encontrada é transpor mais água do reservatório da represa do Jaguari, no Paraíba do Sul, para o reservatório Atibainha, que faz parte do Cantareira.
Com a nova permissão, o volume anual máximo de transposição em 2026 eleva-se de 162 hectômetros cúbicos para até 268,28 hectômetros cúbicos, representando um volume suplementar de 106,28 hectômetros cúbicos. Diferentemente da crise de 2014, a captação atual resulta de negociação conjunta entre os estados, com a participação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e outros órgãos gestores.
O acordo estabelece condicionantes automáticas: o aumento da cota será suspenso se o Cantareira operar acima de 60% do volume útil ou se a Sabesp não cumprir metas de economia de água. Além disso, o pacto garante limites mínimos de vazão a jusante do barramento de Santa Cecília, assegurando 71 metros cúbicos por segundo de defluência mínima instantânea para o Rio Guandu, principal manancial do Rio de Janeiro.

