O senador Jaques Wagner enfrenta incerteza em seu cargo de líder do governo do Senado após ser alvo de operação da Polícia Federal. O desgaste político se arrasta desde a derrota de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, gerando pressão do Planalto para uma possível troca na liderança.
A permanência do senador no cargo está sob questionamento devido a diversos fatores. Um dos pontos de atrito ocorreu quando o Palácio do Planalto calculou uma aprovação de 45 votos para um nome, mas a votação registrou 34 votos favoráveis e 42 contrários. O senador foi apontado como um dos responsáveis pelo cálculo incorreto e pela falha na articulação daquele momento.
O cenário de tensão se intensificou em dezembro do ano passado. A atuação do senador foi criticada pelo Planalto após ele dar aval na votação do Projeto de Lei da Dosimetria de penas, mesmo contrariando a posição do governo, com o objetivo de garantir a análise de pauta econômica. Na ocasião, um líder do governo na Câmara admitiu que “faltou diálogo” sobre o tema.
A pressão política se soma ao contexto eleitoral. O Planalto busca desvincular a imagem do senador para evitar efeitos negativos na pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto o PT defende o parlamentar, aliados admitem a necessidade de substituição. Um vice-líder do governo na Câmara afirmou que o senador deve se afastar da liderança para se dedicar à defesa, resguardada a presunção de inocência.

