O setor de fertilizantes acionou o Ministério de Relações Exteriores (MRE) para iniciar uma varredura global em busca de fornecedores emergenciais de insumos agrícolas. A solicitação, feita pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e pelo Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), visa garantir suprimentos até agosto, início do plantio da safra 2026/2027.
A demanda urgente concentra-se em obter fertilizantes fosfatados ou insumos básicos como enxofre e ácido sulfúrico, essenciais para culturas como soja, milho e café. O Brasil é o maior importador de fertilizantes do planeta, e mais de dois terços do consumo nacional de fosfato depende de fontes externas. Para este ano, 6,45 milhões de toneladas dos 9,75 milhões previstos devem ser importadas.
O MRE reagiu ao alerta, enviando pedidos às representações diplomáticas brasileiras de dezenas de países. A pasta buscou apoio diplomático para sensibilizar governos estrangeiros a autorizar exportações emergenciais. A escassez já causa redução na produção nacional, com suspensão de operações em unidades industriais de processamento de fosfatos.
A preocupação se agrava com a alta de preços. Dados do MRE mostram que o enxofre teve aumento de 823% entre janeiro de 2024 e abril de 2026, enquanto o ácido sulfúrico subiu 305% no mesmo período. O setor necessita, em caráter emergencial, de 250 mil toneladas adicionais de enxofre por mês e 60 mil toneladas mensais de ácido sulfúrico.

