O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente o uso da vacina contra a dengue do Instituto Butantan após o sistema de farmacovigilância registrar sinais de alerta. A decisão foi tomada porque a rede de monitoramento identificou 42 casos com sinais graves entre mais de 500 mil doses aplicadas no Sistema Único de Saúde (SUS).
A farmacovigilância acompanha a segurança de vacinas após sua aplicação na população. Embora os imunizantes passem por testes clínicos, eventos muito raros podem aparecer somente quando aplicados em centenas de milhares de pessoas. No Brasil, esse monitoramento faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 1993.
A suspensão preventiva, segundo especialistas, não indica falha do imunizante. A infectologista Rosana Richtmann, diretora do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirmou que “A farmacovigilância no nosso país está funcionando muito bem porque, de uma forma bastante precoce, identificou alguns sinais de alerta de segurança”.
A professora Maria Anice Mureb Sallum, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, declarou que a medida é adequada ao princípio da precaução. Ela explicou que a suspensão permite avaliar se há relação causal entre os eventos adversos graves e a vacina. A análise envolve instâncias técnicas como o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi).

