Uma pesquisa inédita da Arco Educação revelou que um em cada cinco estudantes brasileiros recorre regularmente a ferramentas de inteligência artificial quando se sente sozinho. O levantamento, realizado com 936 alunos de diversas regiões do país, indica que a tecnologia está sendo usada como substituto de conexões interpessoais diante de dificuldades de socialização.
O estudo, que analisou fatores como pertencimento e amizades, mostrou que mais da metade dos entrevistados (52%) relatou ter dificuldade para fazer novos amigos. Os dados comparados com escalas internacionais colocaram os estudantes brasileiros próximos da faixa de solidão moderadamente alta. Um indicador preocupante foi a dificuldade de ampliar círculos de amizade, enfrentada por 28,7% dos alunos, percentual superior às referências globais.
Houve diferenças notáveis entre os grupos: meninas apresentaram maior índice de dificuldade para criar laços e maior distanciamento social, com 23,8% delas usando IA por solidão, contra 12,3% dos meninos. A passagem para o Ensino Médio também foi identificada como momento crítico, elevando o índice de solidão frequente de 16% para 25,7%.
Os pesquisadores apontam que o sentimento de pertencimento é crucial para o desenvolvimento emocional. O estudo também identificou que escolas com programas estruturados de educação socioemocional registraram menor sensação de isolamento. Em tais instituições, a falta de pertencimento foi 5,3 pontos percentuais menor, e a solidão frequente caiu 2,8 pontos percentuais.

