Análises de especialistas apontam que a força estratégica do Estreito de Ormuz pode diminuir no longo prazo. A busca por rotas alternativas, como oleodutos sauditas e rotas terrestres, sinaliza uma mudança na dinâmica do mercado global de petróleo.
O professor de Relações Internacionais, Roberto Uebel, analisou os desdobramentos desse cenário para o mercado de petróleo. Ele afirmou que há um sinal claro de que Ormuz talvez não seja mais tão estratégico para nações europeias e China. Consultorias do setor projetam a precificação de risco para além de 2026, estendendo-se por todo o ano de 2027, além de apontar o impacto do encarecimento dos seguros marítimos na região.
O mercado já busca alternativas, como a construção de novos oleodutos em território saudita e rotas terrestres mais longas passando pela Turquia. O especialista pontuou que o Irã deve usar o componente político do conflito para desestabilizar o Oriente Médio, com efeitos calculados sobre os mercados americanos. Para o Brasil, uma restrição à navegação no estreito geraria pressão inflacionária sobre a cadeia produtiva e de distribuição.
Uebel alertou que a questão da inflação externa será utilizada por candidatos na eleição de outubro. Ele destacou o interesse da China no livre fluxo do estreito, pois isso impacta diretamente o crescimento econômico chinês. Na disputa regional, Arábia Saudita, Irã, Turquia e Israel já estão envolvidos.

