Crianças nascidas na Inglaterra durante o primeiro lockdown da Covid-19 apresentam déficits na função executiva aos quatro anos, conforme estudo publicado nesta semana. A pesquisa, coordenada pela Universidade City St George’s, avaliou o impacto de um contexto social restritivo vivido entre março de 2020 e julho de 2021 no desenvolvimento cognitivo.
O estudo BICYCLE (Born In COVID Year – Core Lockdown Effects) analisou 205 crianças de quatro anos. Os resultados indicam que essas crianças possuem níveis de função executiva significativamente inferiores aos padrões observados antes da pandemia. As funções executivas são habilidades cognitivas essenciais para planejar, resolver problemas, manter a atenção e controlar impulsos.
A avaliação, feita por psicólogos e terapeutas, mostrou que um terço das crianças avaliadas necessita de suporte específico em funções executivas, taxa superior à observada em estudos anteriores. Embora o desenvolvimento motor tenha permanecido dentro dos níveis esperados, a linguagem expressiva apresentou desempenho inferior ao potencial cognitivo geral.
Os pesquisadores explicam que a linguagem receptiva foi favorecida pelo aumento da comunicação familiar durante o isolamento. Contudo, a redução de interações sociais diversificadas com pessoas fora do núcleo familiar prejudicou a capacidade de usar palavras para se comunicar. Especialistas alertam que as escolas precisam de recursos adicionais para apoiar o comportamento dessas crianças.

