O governo brasileiro classificou como injusta a possível imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A declaração ocorreu durante reunião com representante comercial americano, na véspera do prazo final para a decisão da administração do presidente Donald Trump.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que o encontro foi o quinto entre autoridades dos dois países desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump criaram um grupo de trabalho comercial. O Mdic reiterou que as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não possuem fundamento técnico para justificar novas barreiras comerciais.
As críticas brasileiras abrangem a proposta de sobretaxa de 25% para produtos nacionais e uma tarifa adicional de 12,5% ligada à investigação sobre trabalho forçado. O governo brasileiro afirmou que qualquer sobretaxa é injusta e não conduzirá a um acordo bilateral adequado. A orientação presidencial é manter o diálogo com Washington para buscar uma solução negociada.
As tarifas decorrem de investigação do USTR baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O governo americano acusa o Brasil de práticas prejudiciais em áreas como comércio digital, sistema Pix, propriedade intelectual e combate ao desmatamento. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros podem ser afetados, representando aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações.

