O governo brasileiro negou os vistos de dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, gerando uma crise diplomática entre Brasília e Washington. A decisão ocorreu após relatos de que os diplomatas pretendiam discutir a integridade do sistema eleitoral brasileiro, o que foi interpretado pelo Itamaraty como possível ingerência estrangeira.
Os dois diplomatas, que atuam no Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL), teriam participado de uma missão oficial prevista para ocorrer antes das eleições presidenciais. Segundo informações de autoridades americanas e brasileiras, a visita previa reuniões com representantes do governo federal, parlamentares e lideranças da sociedade civil para debater temas como liberdade religiosa e direitos humanos.
O Ministério das Relações Exteriores decidiu negar os pedidos de visto com base na avaliação de que a agenda poderia abrir espaço para questionamentos sobre o processo eleitoral nacional. Embora o Itamaraty não tenha detalhado os fundamentos, autoridades afirmaram que a medida visou evitar qualquer interpretação de ingerência estrangeira durante a campanha.
Em resposta, o Departamento de Estado contestou a versão brasileira. Um porta-voz afirmou que a missão era de rotina, semelhante a outras realizadas globalmente, e declarou que alegações de interferência nas eleições de uma democracia parceira são “uma mentira infundada”.

