A busca por corpos extremamente magros após os 40 anos aumenta riscos de saúde em mulheres, como desnutrição e osteoporose. Especialistas alertam que a pressão estética, somada às mudanças físicas da menopausa, eleva a vulnerabilidade a transtornos alimentares.
A tendência de magreza extrema, que teve destaque nos anos 1990, afeta mulheres mais velhas. Segundo o psiquiatra Fábio Salzano, do IPq/USP, este período representa vulnerabilidade devido às mudanças físicas e sociais, como o depósito de gordura na barriga e a queda de colágeno com a menopausa.
No Brasil, mulheres com idade média de 47 anos são as maiores consumidoras de canetas emagrecedoras, conforme dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). Karen de Marca, endocrinologista e presidente eleita da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), afirmou que a exigência de manter um corpo jovem aumenta o estresse psíquico.
Especialistas explicam que a restrição severa de calorias e nutrientes em idades avançadas acelera a perda de tecido ósseo, elevando o risco de fraturas e problemas cardiovasculares. Um estudo de 2023, com mais de 18 mil adultos, indicou que a mortalidade por todas as causas foi maior em mulheres mais velhas com o Índice de Massa Corporal (IMC) mais baixo.
De Marca orienta que o emagrecimento nessa faixa etária deve ser conduzido sem radicalismo. O ideal é associar qualquer estratégia de perda de peso a treino de força e aporte adequado de proteína, cálcio e vitaminas, sempre com acompanhamento médico.

